Resenhas de Álbuns

Treme com Gaby Amarantos

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Treme
Nota: 5,0

Artista: Gaby Amarantos

Álbum: Treme

Gênero: Tecnobrega

Gaby Amarantos apareceu do nada querendo aparecer a todo custo. A paraense que tem um visual exótico e cheio de referências fashions, veio de origem humilde e não tem vergonha alguma em dizer isso. Embalada pelo tecnobrega, Gaby veio conquistando seu território aos poucos e ganhando certa notoriedade entre os críticos musicais. Ficou conhecida nacionalmente após lançar a música “Hoje eu tô Solteira”, uma versão da música “Single Ladies”, da cantora americana Beyoncé. O sucesso da música rendeu a Gaby o apelido de “Beyoncé do Pará”.

Com contrato assinado com a Sony Music, Gaby lançou recentemente o álbum Treme, que é totalmente despojado e bem a cara dela. Cada música tem sua essência e uma energia diferente. As letras são simples e diretas, para conquistar qualquer faixa etária. Ex Mai Love agradou tanto que virou abertura da novela Cheias de Charme, dando a Gaby uma chance de expandir mais seu trabalho, pois é inevitável começar a novela e você não cantarolar o refrão.

O álbum todo é excelente e bem autêntico, exceto pelo cover do sucesso Coração Está em Pedaços, de Zezé Di Camargo & Luciano que ganhou uma versão dançante-melosa na voz de Gaby. Confesso que comecei a gostar mais desse clássico na voz dela. Deixo tambem o destaque para as faixas Xirley, Galera da Laje, Chuva, Faz O T e claro, mantendo a minha tese sobre a “2ª faixa”, Ela tá Beba Doida:

Eu sou muito chato quando se trata de MPB, e não é qualquer artista ou banda que ouço e indico, mas Gaby Amarantos é muito diferente e excentrica. Não tem como não gostar dessa mulher. As músicas são alegres e que nos animam para valer, um cd que foi feito pra se divertir. Recomendo a quem está torcendo o nariz a deixar o preconceito de lado e valorizar os talentos do Brasil, que acredite… ainda existe.

Gossip: mais que um ruído alegre

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Gossip

A Joyful Noise
Nota: 5,0

    Artista: Gossip

    Álbum: A Joyful Noise

    Gênero: Indie

O grupo norte-americano Gossip esteve sumido de todo o mundo musical desde o término de sua turnê, que divulgava o excelente Music for Men, em meados de 2009. De lá pra cá, a banda teve altos e baixos e até uma escapadinha rápida da vocalista Beth Ditto, que lançou um ep solo, com algumas músicas experimentais. De volta ao trabalho, o Gossip decidiu fazer seu retorno em 2012 e claro, triunfante.

A Joyful Noise, o quinto álbum deles marcam um comeback regado a sintetizadores, vocais graves e uma pitada de pop britânico, já que contaram com a ajuda do Xenomania. O denominado indie rock também está presente nesse trabalho e trazem consigo a essência do Gossip. Cada faixa tem sua importância e não deixa a desejar em nenhum ponto.

O álbum que começa centrado com a melódica Melody Emergency, a expressiva Perfect World e minha favorita, Get a Job que tem sintetizadores tímidos e uma batida envolvente e cheia de altos com um refrão chiclete e curto que gruda na cabeça.

Uma faixa que merece destaque é Move In the Right Direction que é bem pop e alegre. Espontânea, Beth Ditto brinca e faz da musica uma sensação de um lugar descontraído. E já tem clipe, com dança e tudo. Veja só:

O baixo e a bateria tranquila tomam conta da musicalidade em Casualties of War, que tem uma abordagem acústica e introvertida. O refrão também é excelente. Ainda acalmando os nervos, o Gossip traz após a midtempo Into the Wild que é uma faixa comum do grupo e que é a cara deles. Há algumas influências urban e retrô em alguns momentos. O solo da guitarra no bridge guiado pelo vocal de Beth é o ápice da música. “Suma daqui” é praticamente o desabafo em Get Lost, que é entoado por uma guitarra soul e uma suave influência electro.

Involved nos deixam envolvidos com toda a musicalidade e seu refrão gritado onde Beth explica com falsetes que não está apaixonada, apenas envolvida. Horns é rock! Com uma leve pitada de soul (novamente) ouvimos uma bateria acelerada e sons de trompetes. I Won’t Play tem um sintetizador conquistador, e o rumo que a música toma é surreal. Começa tristonho e termina todo libertador.Love In a Foreign Place fecha o A Joyful Noise com chave de ouro e passa uma mensagem bem profunda entoada pela bateria + sintetizador e até um orgão com participação rápida.

No mais, o Gossip traz mais um trabalho excelente e que, com certeza, está entre os melhores do ano e apesar de não prometer grandes mudanças, eles mostram que podem manter sua essência e se atualizar com as modinhas do momento. Gostei do trabalho e o ouço diversas vezes ao dia, é inspirador e não soa repetido como muito álbum que já ouvi por aí.

Coração Elétrico. Literalmente

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Há um tempinho atrás, apresentei aqui no blog a “banda” britânica Marina & The Diamonds que se tornou um dos xodózinhos na terra da rainha. O seu pop com pitadas de indie fizeram de seu álbum debut, um dos mais ouvidos naquele ano. Marina volta em 2012 com um projeto voltado ao mainstream, mas com a mesma vontade de cativar com a mistura de gêneros, assim também se rendendo ao electropop.

Electra Heart é o nome do seu segundo álbum, que conta com a mesma energia do The Family Jewels, porém suas músicas são centralizadas no feminismo e sexualidade. Para o novo cd, Marina chamou um time de cinco estrelas: Dr. Luke, Rick Nowels, Greg Kurstin e até Diplo. Apesar dos renomados produtores, o álbum soa saudosista e na primeira audição parece ser um álbum de remixes do antecessor. As músicas se parecem bastante, mas por um lado foi bom se manter na zona de conforto, pois já dizem “não se mexe em time que está ganhando”.

Marina

O álbum começa com uma vibe rebelde e toda lembrando o rock dos anos 80, ao estilo Blondie. Bubblegum Bitch é ótima e tem um refrão curto, que fica na cabeça como um chiclete, como no próprio nome já diz. Primadonna já é figurinha carimbada né? Um single com cara de hit! No começo houve polêmica por parecer música da Katy Perry, mas bastou sair o clipe para todos esquecerem tal semelhança. Ótima batida, por sinal. Lies tem um dubstep tímido, mas logo Marina o estraçalha com sua voz impactante no refrão. Já virou uma das preferidas, sem contar que tem o dedo de Diplo nisso tudo. Homewrecker é diferente e tem um refrão que se desprende de toda a música, e isso que a destaca. Starring Role é a baladinha que engana bobo: começa inocente, mas não demora muito e se torna uma música envolvente. Merece destaque, assim como The State of Dreaming, que também é um sonho. Calma e entoada por um piano expressivo, essa faixa se torna numa batida eletrica e animada. Imagino esse refrão em um dia ensolarado e com um campo bem florido… enfim, com uma atmosfera bem alegre.

Uma das faixas que ouvi várias vezes seguidas foi Power & Control. Ela tem uma introdução obscura e me lembrou muito a musicalidade da Lady Gaga. O refrão idem. Forte e com uma batida dançante bem brava. Gostei muito dessa produção. Profunda, Living Dead continua na mesma energia e chega querendo marcar presença. Nessa, Marina parece com Goldfrapp e todos os sintetizadores só contribuem para que esse vínculo exista. Excelente faixa, o vocal continua impecável e constante. Teen Idle é a típica musica do The Family Jewels, essa faixa deixa o álbum empacado na lembrança. O refrão não ajuda, mas não deixa de ter seu enriquecimento. Só não consegui ver novidade nela, ainda mais por ter uma batida fraca. Valley of the Dolls tenta reerguer a faixa anterior, mas tudo que acontece é um fracasso. É outra faixa que fica no vácuo, talvez seja porque estou cansado de ouvir essa batidinha pop dessa música. Deixo essa passar despercebida também. Hypocrates é a balada que devia ter ficado no meio das anteriores, é excelente e introvertida. Brilha por si só e sem muitos instrumentos barulhentos. É o tipo de música que a gente pode ouvir durante horas que a cada minuto ela fica mais charmosa. Finalizamos Electra Heart com Fear and Loathing, que tem 6 minutos de duração. Totalmente obscura e expressiva, essa música não muda seu tempo. É linda e Marina brinca com seu timbre, ora agudo.. ora grave. Porém sempre marcante.

Consideração final: Marina se arriscou e não teve medo de parecer repetida ou semelhante. Fez seu trabalho bem feito, porém nem um pouco ousado. No álbum há faixas boas e faixas muito boas. Achei excelente o álbum receber uma produção eletrônica, até porque electropop é o gênero dos últimos anos. A divulgação do álbum está sendo positiva, apesar de muitas pessoas ainda torcerem o nariz. Mas eu recomendo a todos conhecer a “banda” e dar um voto de consideração. O segundo cd é excelente, mas nada tira o verdadeiro brilho do diamante que é Marina.

Madonna – Versão 2012

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Durante toda a carreira de Madonna, a primeira audição de seus álbuns eram marcos na história da música pop. Seja lá qual ele for, a rainha arrancava suspiros e interjeições surpresas de seus ouvintes a cada nova música que começava. É inevitável não se surpreender com cada material novo que ela lança no mercado fonográfico, tanto que a cada vez é mais lógico esperar pelo melhor e inovador dela.

Nos últimos anos, Madonna foi muito questionada sobre a responsabilidade de manter o “reinado” com a idade avançando números maiores que cinco dezenas. Ela com todo o talento e experiência deixou bem claro que está sim, cada vez mais preparada para empenhar o melhor em seu trabalho, que pra nós é apenas entretenimento.

Em 2012, a eterna Material Girl resolveu retomar o seu posto e apresentar ao mundo um novo trabalho, o MDNA, que nada mais é que seu DNA atualizado ás tendências de hoje com muitas influências do passado.

A cada trabalho lançado, Madonna tenta inovar e sempre trazer ritmos novos ou abortar assuntos polêmicos para não soar repetida. Em MDNA não foi diferente: ela escalou um time de peso para produzir seu álbum e não teve medo em arriscar em parcerias (até então) duvidosas.

Madonna

Com a produção dividida entre Martin Solveig, Indigo e o duo Benassi, o disco veio pronto para as pistas, que é aonde Madonna se sente em casa. Regado ao ritmo da atualidade, o electropop viaja por diversos outros gêneros que não o faz monótono. MDNA vem balanceado entre a perdição de matar um namorado á declarações de amores de relacionamentos fracassados.

Colocando o cd para tocar, temos o prazer de ouvir Madonna recitando um pedido de perdão (lembrando vagamente a inesquecível Dita Parlo) que é entoado pela batida suave de Girl Gone Wild que nos leva a um refrão animado. Em seguida somos intimidados ao suspense de Gang Bang com sons de armas sendo engatilhadas e com uma mulher vingativa que canta os seus planos sórdidos. I’m Addicted chega e deixa o clima mais animado, porém não menos tenso. Essa faixa é ótima e tem uma influência tecnológica com efeitos que hipnotizam. Turn Up the Radio quebra toda a tensão e deixa um clima alegre e descontraído. O refrão é ótimo e com uma batida electro muito gostosa. Depois chega a juvenil e espevitada Give Me All Your Luvin’ que de brinde contém o featuring de Nicki Minaj e de M.I.A. Eu já falei muito dessa faixa por aqui, mas continuo gostando muito, pois a energia dela me contagia. L-U-V MADONNA!

A intro de Some Girls é tão fantástica que até a coloquei para ser meu toque do celular. A música é toda perfeita e com sintetizadores constantes e Madonna está com um autotune excelente para tal produção. Gosto muito dessa, e o refrão dela me faz lembrar da I Like It Rough da Gaga. Superstar é aquela música que é tão bonitinha que devia ser single só para ganhar um clipe fofo. Sim, eu amo Superstar e essa batidinha farofa do Martin. O refrãozinho dela me conquistou… uh la la! I Don’t Give A é urban, é retro, é Madonna 2012! A música é cantada no estilo singtalk e o refrão é uma intimidação a parte e é um cala a boca para muitos. Nem precisa falar o quão importante é o rap da Nicki Minaj, né? “Há apenas uma rainha, e é Madonna, sua vadia!” Eu gosto bastante de I’m a Sinner, mas é uma faixa que eu descarto facilmente da reprodução. Essa música soa clichê e com uma batida bem enxugada das que ouvimos todos os dias nos rádios. Eu a trocaria pela bonus track Beautiful Killer.

O destaque de todo o álbum na minha opinião fica na faixa Love Spent. Simplesmente por ela começar com um banjo, se desenvolver no electro e finalizar o brigde numa balada digna de holofotes. É como vejo essa faixa, bem diferente e com diferenciais que deveriam ter sido mais explorados no álbum todo.

Com a temática de amor no ar, Masterpiece é a balada que conquista todos pela profundidade da letra, até porque Madonna a fez baseada em seus relacionamentos passados. Mas eu prefiro bem mais a Falling Free pela individualidade do ritmo que ela desenvolve. É uma balada com influência erudita e que me lembra aquela época de reis e rainhas. Uma completa viagem.

Cortando o clima sonhador, Beautiful Killer vem com uma energia matadora. Essa faixa é tão boa que foi um pecado ficar de fora do tracklist standart. Tem uma batida animada e com um refrão ótimo, me lembrou bastante a era Music. I Fucked Up eu ignoro, não gosto muito dela. Não sei, acho melancólica e tediosa e a sinto enfiando uma carta de desculpas goela abaixo. Mereceu ficar de fora.
B-Day Song é divertida, engraçada e juvenil, uma Madonna bem diferente. O featuring da M.I.A. é bem interessante, principamente quando ela canta “I’m a happy gal”, rs. Best Friend não é nada demais, mas tem uma produção interessante, que me recordou bastante do Hard Candy.

Conclusões finais:

Madonna quis pegar o barco das modinhas e fez um álbum excelente para seus fãs, que estavam sedentos por algo novo. Com músicas fortes e outras nem tanto, ela conseguiu subir mais um degrau de sua escala, mas não é nada que deva se orgulhar. A divulgação e a escolha dos “carros chefes” ficaram a desejar, já que muitas canções deviam ter sido negadas e outras acatadas sem nem pestanejar. Acredito que a mudança de gravadora fez com que Madonna colocasse mais a mão na massa, mas faltou um pouco de certeza e confiança por parte dos produtores. Martin Solveig fez um trabalho excelente, mas podia ter criado algo novo, ao invés de reciclar suas antigas melodias. O feat com Nicki Minaj foi interessante e no mínimo surpreso, mas não é nada demais perto da imensidão que é Madonna. MDNA é um álbum refrescante e feito para se divertir, não tem pretensões e muito menos veio rotulado como o melhor da década, mas consegue se destacar na carreira da rainha. Mas não chega a ser o preferido, pelo menos pra mim.

As The Saturdays estão no nosso radar

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Se o R&B vinha ganhando espaço durante os últimos anos, em 2011 quem predominou foi o electropop. O gênero não só se popularizou, como foi usado por muitos cantores que até então viram sua carreira evaporar. Contrariando toda a sua história pop britânica, as garotas do The Saturdays decidiram remar contra a maré e também entrar nessa onda do electropop. O resultado foi bem melhor que o esperado, porém não se sabe se valerá apostar todas as fichas nessa nova ‘era’.

Conhecidas pelo seu pop remelento e bem juvenil; Frankie, Mollie, Una, Vanessa e Rochelle são bem famosas no Reino Unido e são um dos últimos grupos femininos que ainda estão em ativa. O quarto álbum de estúdio das meninas, chamado On Your Radar acabou de ser lançado e já podemos esperar para que elas colham alguns frutos com ele. Para o novo trabalho, foi escalado um time de produtores especializados em electropop e com a dificil missão de infiltrar as sábadas nas pistas de dança.

O novo álbum é animado e cheio de graça. Todas as músicas são uma continuação da outra, exceto as baladinhas. Mas todas entoam um ritmo dançante que é impossivel não se render ao primeiro instante. A mistura de elementos e gêneros só fizeram as faixas terem um valor fora do comum. Tanto que o álbum é todo coeso e soa intenso, do começo ao fim.

Nessa resenha vou fazer diferente. Como todas as faixas seguem um mesmo padrão, não vou postar os detalhes de cada uma, e sim, deixarei separadas para você entender mais ou menos como classifiquei. E tambem fica a dica para uma suposta playlist. Para quem gosta de dançar loucamente, depois só curtir e por fim, dançar junto.

Para bater cabelo:
All Fired Up
Notorious
Get Ready, Get Set
Move On U

Para animar:
Faster
The Way You Watch Me (feat. Travie McCoy)
For Myself
Promise Me
White Lies
I Say Ok

Para dançar colado:
My Heart Takes Over
Do What You Want With Me
Wish I Didn’t Know
Last Call

As “Sábadas”, como carinhosamente a chamamos, mostraram que tem potencial para comandar as pistas de dança. Claro que estranhei essa mudança repentina, e até, desesperada de tentar algo mais “moderno” e fora da zona de conforto delas. Porém tenho que admitir que ficou um trabalho bem interessante e renovado. Elas ultimamente não tem vivido seus dias de glória, já que seus números nos charts não chegam a ser notórios. Mas tomara que essa maré de azar passe.

No mais, On Your Radar é um álbum que entra fácil pro top 10 de melhores do ano. É a terra da rainha sempre mostrando um pouco do que tem de melhor para nos oferecer.

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