Coração Elétrico. Literalmente

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Há um tempinho atrás, apresentei aqui no blog a “banda” britânica Marina & The Diamonds que se tornou um dos xodózinhos na terra da rainha. O seu pop com pitadas de indie fizeram de seu álbum debut, um dos mais ouvidos naquele ano. Marina volta em 2012 com um projeto voltado ao mainstream, mas com a mesma vontade de cativar com a mistura de gêneros, assim também se rendendo ao electropop.

Electra Heart é o nome do seu segundo álbum, que conta com a mesma energia do The Family Jewels, porém suas músicas são centralizadas no feminismo e sexualidade. Para o novo cd, Marina chamou um time de cinco estrelas: Dr. Luke, Rick Nowels, Greg Kurstin e até Diplo. Apesar dos renomados produtores, o álbum soa saudosista e na primeira audição parece ser um álbum de remixes do antecessor. As músicas se parecem bastante, mas por um lado foi bom se manter na zona de conforto, pois já dizem “não se mexe em time que está ganhando”.

Marina

O álbum começa com uma vibe rebelde e toda lembrando o rock dos anos 80, ao estilo Blondie. Bubblegum Bitch é ótima e tem um refrão curto, que fica na cabeça como um chiclete, como no próprio nome já diz. Primadonna já é figurinha carimbada né? Um single com cara de hit! No começo houve polêmica por parecer música da Katy Perry, mas bastou sair o clipe para todos esquecerem tal semelhança. Ótima batida, por sinal. Lies tem um dubstep tímido, mas logo Marina o estraçalha com sua voz impactante no refrão. Já virou uma das preferidas, sem contar que tem o dedo de Diplo nisso tudo. Homewrecker é diferente e tem um refrão que se desprende de toda a música, e isso que a destaca. Starring Role é a baladinha que engana bobo: começa inocente, mas não demora muito e se torna uma música envolvente. Merece destaque, assim como The State of Dreaming, que também é um sonho. Calma e entoada por um piano expressivo, essa faixa se torna numa batida eletrica e animada. Imagino esse refrão em um dia ensolarado e com um campo bem florido… enfim, com uma atmosfera bem alegre.

Uma das faixas que ouvi várias vezes seguidas foi Power & Control. Ela tem uma introdução obscura e me lembrou muito a musicalidade da Lady Gaga. O refrão idem. Forte e com uma batida dançante bem brava. Gostei muito dessa produção. Profunda, Living Dead continua na mesma energia e chega querendo marcar presença. Nessa, Marina parece com Goldfrapp e todos os sintetizadores só contribuem para que esse vínculo exista. Excelente faixa, o vocal continua impecável e constante. Teen Idle é a típica musica do The Family Jewels, essa faixa deixa o álbum empacado na lembrança. O refrão não ajuda, mas não deixa de ter seu enriquecimento. Só não consegui ver novidade nela, ainda mais por ter uma batida fraca. Valley of the Dolls tenta reerguer a faixa anterior, mas tudo que acontece é um fracasso. É outra faixa que fica no vácuo, talvez seja porque estou cansado de ouvir essa batidinha pop dessa música. Deixo essa passar despercebida também. Hypocrates é a balada que devia ter ficado no meio das anteriores, é excelente e introvertida. Brilha por si só e sem muitos instrumentos barulhentos. É o tipo de música que a gente pode ouvir durante horas que a cada minuto ela fica mais charmosa. Finalizamos Electra Heart com Fear and Loathing, que tem 6 minutos de duração. Totalmente obscura e expressiva, essa música não muda seu tempo. É linda e Marina brinca com seu timbre, ora agudo.. ora grave. Porém sempre marcante.

Consideração final: Marina se arriscou e não teve medo de parecer repetida ou semelhante. Fez seu trabalho bem feito, porém nem um pouco ousado. No álbum há faixas boas e faixas muito boas. Achei excelente o álbum receber uma produção eletrônica, até porque electropop é o gênero dos últimos anos. A divulgação do álbum está sendo positiva, apesar de muitas pessoas ainda torcerem o nariz. Mas eu recomendo a todos conhecer a “banda” e dar um voto de consideração. O segundo cd é excelente, mas nada tira o verdadeiro brilho do diamante que é Marina.

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