Então, assisti “Hoje eu quero voltar sozinho”

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“Leo, se você roubasse um beijo de alguém, como faria para devolvê-lo?”

Demorou um tempo, mas consegui. Depois de ver – pelo menos umas dez vezes -, o curta metragem “Eu não quero voltar sozinho”, assisti o longa “Hoje eu quero voltar sozinho”, derivado do trabalho do diretor Daniel Ribeiro lançado em 2010. Num primeiro momento fiquei com medo, me perguntava como um ótimo filme de 17 minutos poderia ser estendido em mais de uma hora e meia e, mesmo assim, manter sua essência. Felizmente, fui surpreendido.

Filmes com temática LGBT, infelizmente, tendem a usar a sexualidade em larga escala. Isso, claro, não os faz serem ruins, porém, ver um filme com a mesma temática e que não cai nessa prerrogativa chama muito a atenção. A história de Leo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que se vê apaixonado pelo colega de escola Gabriel (Fábio Audi), poderia ser somente mais um filme gay, mas foi mais do que isso.

Daniel disse em entrevista, meses antes da estreia, que os atores haviam crescido e algo mais maduro se fazia necessário. A maturidade da história, porém, não foi o sexo, como todos esperavam. O diretor não caiu nessa armadilha. E isso faz de “Hoje eu quero voltar sozinho”, algo tão incrível. A história do longa, novamente, se desenrola em torno de Leo e Gabriel. Porém o romance não é mais o centro das atenções na história. Agora Leo também quer ser independente. Quer ser livre. Caminhar com suas próprias pernas.


Em meio a isso, surge então o sentimento. E, novamente, Daniel dá show de direção ao exibir os detalhes mais simples. A utilização da câmera nesses momentos é feita com maestria, a sensibilidade alcançada com planos detalhe, trilha sonora impecável (ponto para “Janta”, de Marcelo Camelo e Malu Magalhães, música presente no curta e que foi colocada no longa) e atuações de uma sensibilidade poucas vezes vista. Eu, com meus 23 anos de idade, vejo todas elas e lembro dos meus 16 anos e tudo o que parecia importante naquele momento e aquilo que eu fiz de errado.

O foco, claro, são os protagonistas, mas isso não diminui a importância dos demais personagens incluídos na história. Giovana (Tess Amorim) tem menos presença do que tinha no curta, mas continua sendo de grande importância. Não, eu não chorei vendo o filme, mas fiquei angustiado em alguns momentos e suspiros me foram arrancados em outros vários. O que consigo pensar ao assistir “Hoje eu quero voltar sozinho”? O cinema brasileiro decidiu que não quer mais ficar em segundo plano e começou a trabalhar para que isso acabe.

Por fim, o filme já não está mais em cartaz, porém pode ser adquirido pelo iTunes.
Acredite, vale cada centavo.

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