Review: Katy Perry – Prism

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O álbum colorido e reluzente de Katy Perry superou expectativas e é uma safra de novos hits, porém não houve inovação.

Prism
Nota: 4,0

    Artista: Katy Perry

    Álbum: Prism

    Gênero: Pop

2013 iria ser o ano do comeback de Katy Perry, que depois de destrinchar seu Teenage Dream todinho, iria vir com um álbum novo e cheio de drama e atitude. Bom, esse marketing falhou pois Katy Perry não veio rebelde como imaginavamos, porém trouxe um álbum na medida e bem mais maduro. Na minha opinião o melhor de toda sua carreira.

Prism é como uma viagem no tempo. Depois de trazer toda a doçura da adolescência, Katy foi além e como um prisma, deixou a luz bruta entrar e refletir suas próprias cores. O álbum passeia entre vários estilos e as faixas conversam entre si. Façam o teste: coloquem o álbum para tocar e deixe no modo aleatório. A sintonia entre as músicas continuam a mesma? Bom, eu achei que sim. Uma parece complementar a outra e você pode até dizer que Prism é igual. Mas eu discordo, se você parar para ouvi-lo com atenção, vai notar o quão são diferentes.

Em time que está ganhando não se mexe, e Katy não mudou muito do lineup de produtores. Os hitmakers Dr Luke, Max Martin, Cirkut e Bonnie McKee continuaram intactos. As novidades ficaram por conta das colaborações com Sia, Emeli Sandé e o seu amado John Mayer, que segundo ela foi o responsável pelo nome do álbum. Se você ainda não ouviu o álbum, peço que faça já. Ou pelo menos as prévias, basta dar play abaixo:

Prism dá partida em Roar, que dispensa apresentações. Eu sei que você já cansou de ouvir o rugido da Katy por aí. E claro, já postamos aqui também. Foi uma boa escolha começar com Roar, pois é bom que já dá pra ver que essa música já deve ser descartada logo. Legendary Lovers chega com a temática oriental nas veias. Com o arranjo inspirado em Bollywood, a música se desenvolve ao meio hindu. Tem um refrãozinho chiclete e já a detectamos como uma 2ª faixa. Estonteante, Birthday começa com gostinho de disco music, onde todo mundo dançava nas discotecas com roupas extravagantes e estilosas. Uma faixa pop e com uma letra bem fofa. Na mesma viagem ao tempo, Katy traz o gosto dos anos 90 na frenética Walking On Air, que me lembra muito minha infância onde todos as músicas dance havia essa batida. Unconditionally é a primeira baladinha e vem para tranquilizar um pouco. Essa música tem muito a cara da Katy e o refrão dela é bem intenso.

A intro de Dark Horse é fantástica. Hipnotiza e eu queria muito que tivesse mais dessa bizarrice na música. A participação de Juicy J é interessante e eleva a música outro padrão. Antes do álbum sair, era a minha preferida e de longe a mais diferente do Prism, por ter uma batida nigga e com um refrão melódico. Falando em favoritas, estou amando This Is How We Do como se não houvesse amanhã. Com uma pegada urban e uma batida desprentensiosa, “This…” tem um refrão marcante e que estou com ele na cabeça desde a primeira vez que ouvi. Destaque para o fade onde Katy diz: “What? Wait. No, no, no… Bring the beat back, that’s right” e a música volta a tocar. International Smile parece que veio importada do Teenage Dream, soa como a continuação de Part Of Me, inclusive quando entra um arranjo que lembra o saxofone de Last Friday Night, o que não a faz ser ruim.. pois é ótima. Tem uma vibe tão conhecida, que faz lembrarmos que a Katy das antigas ainda está ali. O começo de Ghost começa muito triste e obscuro, mas o refrão é animadinho e manda o fantasma da tristeza embora. Mas essa música fica ali, mas não marca presença. Saindo da zona de conforto, Love Me é uma baladinha produzida pelos suecos Bloodshy & Avant. E como é marca registrada da dupla, a batida frenética não podia faltar. Vocais no ponto, espero que se ela for a cantar ao vivo, que mantenha o tom.

Anos 80, é como descrevo This Moment que me lembra PetShop Boys, League Human e toda as percursoras do synthpop que com certeza inspirou Stargate e Benny Blanco a produzir essa faixa. Gostei bastante e está entre minhas favoritas. Double Rainbow é uma música da Sia e eu aposto que será single. Ninguem é louco de gravar algo dela e não lançar, é tipo comprar um pote de sorvete e comer sozinho. A faixa é a balada mais intimista do álbum e tem aquele Q de hit, a julgar pelo refrão mainstream. Autobiografica, By the Grace of God é a música de agradecimento a Deus por uma nova vida, linda por sinal e fecha o álbum standard com chave de ouro. Uma baladinha que não tem potencial para single.

Só queria saber porque Spiritual ficou de fora do tracklist e entrou como bônus. O que é essa música? Perfeita! Com um arranjo incrível puxado pro synth moderno, a faixa tem a colaboração de John Mayer e é uma das melhores e mais produzidas. Assim como It Takes Two que é uma baladinha intensa e bem Katy também, porém escrita pela nossa amada Emeli Sandé. E para finalizar, a envolvente e enigmática Choose Your Battles, que mostra o quanto o álbum é misto em estilos e Katy não se deixa uniformizar.


Katy Perry – Walking on Air [SNL] por eidurrasmussen

Katy Perry enterrou a Katy doce e colorida, mas o espirito dela continua vivo. Houve muita evolução da cantora em Prism, mas o medo de pensar fora da caixa foi maior e o álbum soou mais um da Katy Perry. O trabalho está impecável e não consegui desaprovar nenhuma das músicas e acho que esse álbum irá sim ser um marco na carreira dela, porém não fez nem cócegas em relação a história do pop. Gostei de tudo? Sim, porém não dei 5 estrelas pelo fato de não acha-lo envolvente e novo. No fim tudo foi reformado e misturado com antigas referências, mas nada realmente que seria novidade.

Obrigado Katy por um álbum recheado de hits e espero que você trabalhe bastante nele. Pois o álbum está impecável em cada detalhe. Te amamos, gatinha. ROAR!

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