Resenhas de Álbuns

Review: Florence and The Machine – How Big, How Blue, How Beautiful

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Florence
Nota: 5,0
    Artista: Florence + The Machine

    Álbum: How Big, How Blue, How Beautiful

    Gênero: Indie

Do meu ponto de vista existia uma certa expectativa sobre como o terceiro álbum da banda seria, com “Lungs” seu primeiro álbum lançado em 2009 e seu seguidor “Ceremonials” em 2011, Florence Welch e seus musicistas criaram o que eu diria como uma “dupla imbatível” no cenário Indie Pop. Eles misturavam elementos como harpas e tambores e trouxeram letras místicas, ritualísticas cheias de magias e escuridão que sustentaram singles imortais da banda. Em junho de 2015 o manifesto de liberdade e nudez da cantora foi lançado: How Big, How Blue, How Beautiful. Senti que Welch tinha se livrado de seus demônios, de suas amarras, estava orgânica, intimista e voraz por mostrar ao mundo suas novas musicas.  As metáforas, a magia ainda está aqui, contudo existe uma “rainha pacífica” por trás de todos esses elementos.

A primeira faixa que abre o álbum é Ship To Wreck um Pop Rock cheio de cordas que praticamente lhe evoca a dançar, com batidas e elementos clássicos da banda a cantora lhe deixa em meio ao um conflito em que está cheias de indagações. É uma música libertadora como se lhe preparasse para a viagem que é apreciar todas as demais musicas.

What Kind of Man traz aquela intimidade já dita, um amor que é capaz de transpor as décadas e seus sentimentos expostos faz da musica uma grande confissão acentuada por trompetes e guitarras seguindo uma pegada próxima a da faixa anterior. How Big, How Blue, How Beautiful que traz o titulo do álbum foi inspirada no céu de Los Angeles: imenso, vivo, lindo, são as exatas palavras que são aplicadas na musica. Os vocais são emersos numa calma em cada refrão e sua banda os eleva com uma sinfonia simplesmente magistral.

Queen of Peace traz vocais que dão ideia oposta ao nome da faixa, agressivos, latentes. Sua voz é crescente no refrão e contra balando as metáforas por toda a faixa. Seus ensinamentos e sabedoria de uma rainha é quase palpável, fazendo uma das melhores musicas de todo o álbum.  Various Storms & Saints é uma música regada de uma guitarra envolvente, com tons mais sombrios sem a presença de muitos elementos sonoros. As vísceras sentimentais da cantora estão expostas, é uma faixa cheia de dor e remorso, reforçando aquele toque intimista que é presente em quase todas as musicas.

Intensa, cheia de ira Delilah é inspirada na história bíblica de Sansão e Dalilah, a letra emana um amor cego e intenso (Enforcada, pendurada em seu amor Aguente firme, desligue, é tão rude). Com vocais espalhados, mas, bem organizados e uma instrumental energética, é uma das faixas mais dançantes do álbum. A guitarra da às caras novamente em Long & Lost com sua função de criar essa esfera particular na musica autoral, em quem regressa e procura por encontrar o mesmo conforto do qual um dia deixou. Os tons mais sexuais, sombrios e batidas mais compassadas são responsabilidade de Ester Dean que assinou faixas de grandes nomes.

Caught a oitava faixa do álbum possui um som mais leve, que se destaca no meio de toda a intensidade das demais musicas. É como se pudéssemos ver a aura de Florence, em meio aos seus vocais e que ela realmente se fizesse presente em cada sentimento da letras cheias de sentimento e dor. O misticismo volta com suas metáforas e sua batidas errantes e libertadoras em Third Eye. Uma das faixas mais completas de todo álbum em minha opinião, com uma letra que traz o melhor da senhorita Welch, a magia presente em cada melodia e uma letra que lhe impulsiona a sair do comodismo e escuridão, ela nos convida a experimentar de uma transformação em que o tributo é deixar todo o seu “eu” antigo para trás.

Uma das faixas mais lindas e, contudo extremamente pesada e obscura é St. Jude  sua declaração de desistência sobre um sentimento que lhe sugou de forma completa. Uma faixa com vocais simples muito bem construídos, trazendo uma harmonia ainda maior com instrumentos como o Órgão. Seu pequeno clamor à São Judas Das Causas Perdidas, trás algo sacro para a musica e a torna ainda mais emotiva e dolorosa. Mother com uma produção e um som mais experimental tem uma produção muito mais pop e eletro-dançante, alguns elementos psicodélicos e uma batida totalmente descompromissada é uma musica que trás certo fôlego para a intensidade das ultimas faixas.

Na versão Deluxe temos Hiding que é de longe uma das minhas letras preferidas do álbum, suas melodias leves mais ainda sim vibrantes são um deleite quando entoadas pelos vocais da cantora que são simplesmente deliciosos, nessa altura do álbum você só pode se sentir agradecido por uma musica que traz uma simplicidade e vigor que está presente em todo álbum. Make Up Your Mind mostra o caos de Florence, mostra que tudo ainda está pesado, sua melodia é elétrica e com vocalizações como (Make Up Make Up) que se entende por todo refrão, dançante e metafórica é uma musica que só reforça a sonoridade que foi apresentada em todo álbum.

De longe Which Witch é um pedaço de Ceremonials no novo álbum, ela emana uma divindade que foi subjulgada pela nova sonoridade nesse álbum, uma musica em que apresenta a força magnânima de toda sua orquestra. A letra é quase assustadora no quesito intensidade, e traz certa voracidade emoldurada pelas metáforas de uma bruxa em julgamento.  A musica era o plano original de Welch para seu terceiro álbum musicas que captasse totalmente uma Bruxa e toda dor e sofrimento de suas irmãs durante a inquisição. A potencia vocal da cantora chega no seu ápice para mim nessa musica: a explosão, as repetições, vocalizações, vocais ritmados e crescentes finalizam a versão Deluxe de forma completa e imensamente satisfatória. As outras duas musicas que estão presentes são versões não finalizadas das já mencionadas Third Eye e How Big, How Blue, How Beautiful.

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2015 se mostrou uma surpresa quando trouxe esse álbum, Florence and The Machine está se transmutando, está aberta, exposta. Canta sobre como é sua caminhada, sobre suas lamentações, sobre suas sombras, ela te obriga a dançar com novos arranjos musicas e faz de sua nova sonoridade um ato de fúria e arte. How Big, How Blue, How Beautiful é a transmutação não só de Florence Welch, mas de toda sua banda, partindo para um plano onde o Pop Rock e o Folk Místico se unem em um dos maiores vocais e fenômenos musicais da atualidade.

 

 

Review: Conchita Wurst – Conchita

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Conchita Wurst
Nota: 5,0

    Artista: Conchita Wurst

    Álbum: Conchita

    Gênero: Pop

Há exatamente um ano atrás, Conchita Wurst estava chegando aos holofotes do mundo todo com sua apresentação inesquecível no Eurovision, com o hit “Rise Like a Phoenix” e encantando a todos com sua aparência andrógina e sua voz doce, profunda e incrível, claro. A sua participação foi tão impactante e inesperada que não tinha como não a prêmiar naquela edição. Impecável e com uma produção bem elaborada, a “drag queen” Conchita conseguia se destacar em meio de tantos nomes conhecidos em todo o território europeu (e alguns até fora dele). Hoje, venho fazer um review de seu álbum de estréia, que foi lançado esse mês e posso escrever com todas as letras e em negrito: MARAVILHOSO. Estou viciado.

Apesar de sua popularidade no mundo, Conchita foi ofuscada por tantas outros talentos da música. Sim. Infelizmente não vi muitas notícias e nada sobre o novo álbum. Por isso estou aqui, para relembrar todos que a Conchita está de volta e com um álbum para vocês ouvirem pro resto da vida, ok?

Conchita” consiste em doze faixas que é um menu para todos, indo do pop clássico a referências à Bollywood com dubstep. A equipe responsável pela concepção do álbum foi escolhida a dedo e inclui produtores europeus que tem em suas bagagens nomes como Miley Cyrus, Robyn, Lady Gaga, Ashley Tisdale e Danni Minogue. Nesse trabalho, Conchita diz ter entregado o máximo que pode e que apesar da espera ter sido grande, se diz realizada com o resultado.

Para começar o álbum, o pop clássico em You Are Unstoppable inícia a audição com maestria. Com a uma orquestra, a faixa se transforma quase em um hino de auto estima com o seu refrão poderoso entoado com backing vocals: “Você é mais forte do que imagina. Você é incontrolável”.

Em seguida, Up for Air não deixa espaço e já nos deixa na vibe do pop que ultimamente está tão esmagado com tanto trap eletrônico. A faixa é uma balada pop, suave e nos conquista sem perceber. Os detalhes dessa produção está na voz, e não nos instrumentos. O refrão dá essa certeza. Já alerto que se eu fosse você, ouvia esse álbum com fones de ouvido e preste atenção em cada detalhe. Eles estão lá por toda parte.

Put That Fire Out me dá a impressão que veio de algum musical sobre a América e vejo Conchita toda vestida de militar cantando em algum lugar sombrio de guerra. E nessa música só há a voz dela ecoando e se misturando a um coral tímido que mais parece uma multidão marchando em busca de algo.

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Depois da expressiva anterior, Conchita traz calma com a sua Colours of Your Love cantando que “Meu coração é campo de batalha e você me fez render”. No refrão, uma surpresa: tem um dubstep bem gostoso de ouvir, que é o contrário de tanta barulheira produzida por alguns artistas hoje em dia. Uma cítara bem rápida só está ali pra dizer que vem coisa diferente por aí.

E olha só. Nem demorou! Out of Body Experience parece vir do ocidente só para nos fazer dançar que nem uma odalisca sexy. Sim, a faixa é cheia de ritmos indianos misturados ao pop atual e nem é preciso que a voz de Conchita desliza de um lado pro outro perfeitamente. Se encaixa direitinho, e se em outras via tudo cinza, nessa vejo muitas cores, véus voando e até as danças muito conhecidas em Bollywood.

Cabaré! Essa foi a ideia que tive quando Where Have All The Good Men Gone começou e no refrão se mostrou ser uma faixa totalmente regada à jazz, blues e claro, pop! Nessa música não pouparam em produção e há exagero em toda parte. Seja nos instrumentos, seja nos vocais. É um “desbunde”, como diria minha avó. Mas digo em bom gosto, pois a voz de Conchita chega a notas altas e em um tempo muito curto de respiração. Desculpa aí, mas essa faixa é uma das melhores que ouço em anos.

Estamos no meio do álbum e para mim a faixa a seguir foi a que mais conseguiu mexer comigo e me fazer fechar os olhos e apenas apreciar esse momento. Algumas músicas contam histórias, ou apenas falam aquilo que alguém sente, e isso é lindo. Em Somebody To Love, a sensação e os detalhes tomam conta. Pop genuíno com um refrão fácil e pegajoso, as vezes me pego cantando e com “I tell myself I’m living, but really I just long. For somebody to love…” música presa na cabeça. E aqui é um deleite de detalhes. Só pra não perder o costume:

Firestorm, a minha favorita (até então) habita entre uma junção do eletrônico com o pop que veio cantando nas faixas anteriores e me ganha por ter um piano marcante no refrão. A versatilidade de Conchita é impressionante e não resta dúvidas que esse álbum foi feito com muito cuidado. Sem contar a letra maravilhosa e profunda, onde Conchita expressa seus sentimentos a uma pessoa que está indo embora de sua vida. Nota 10!

Pure vem para acalmar os ânimos e é uma linda balada entoada por um piano e alguns instrumentos de fundo. O refrão forte, traz versos como “Eu dou cada batida do meu coração, cada pedaço da minha alma, me descontrolo para saber como se sente ao ser puro.

Heroes mantém a calmaria, e traz uma faixa um pouco mais agitada. Como se fosse uma conversa, a faixa é uma balada onde “Nós vamos brilhar até nossas cores iluminarem o céu”. Intensa, a faixa se destaca pela grandiosidade de Conchita. Estou extasiado pois cada faixa é uma produção única e bem elaborada. Lembrando que esse foi oficialmente o primeiro single para a promoção do álbum.

Rise Like a Phoenix, a primogênita e dona do buzz, não poderia faltar no álbum de estréia né? Começa clássica e se revela um estrondo no refrão. Uma das músicas que mais ouvi no ano passado e torci para que houvesse um álbum logo. O potencial vocal de Conchita transborda e ela não economiza nem um pouco em talento. Fico feliz que tenha essa música para sempre me lembrar do hit que é, e apesar de ser “nova”, essa faixa é uma produção sem validade. Podemos ouvir daqui vários anos, e ela continuará com essa sonoridade vivaz.

E para fechar com chave de ouro (e já se preparar para recomeçar a ouvir o álbum novamente), Other Side of Me chega com a orquestra que abriu o álbum, mas não espere confissões ou algo sobre amor e sim, sobre algo pessoal. O legal dessa faixa fica por conta da composição, que foi escrita especialmente para Conchita um dia após sua apresentação no Eurovision e o compositor disse que viu nela, algo que ninguém viu. Com a exposição de sua figura, Conchita foi o centro das atenções por ser uma “cantora barbada” e a própria afirmou ficar insegura e achar que seu visual seria mais levado em conta do que sua performance. O fim já sabemos e a letra da música só nos dá a afirmação que essa faixa veio pra “lacrar” o fim do álbum. Other Side Of Me deixa a sensação de um final feliz e libertador, depois prestem atenção (ou procurem um tradutor online – não há desculpa) e diga se não é inspirador.

“Não quero que você saia de mim, mas tente ver o outro lado de mim.
Estou mudando de alguma forma, porém continuarei precisando de você aqui.”

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Concluindo: estou ouvindo vários álbuns, porém nem todos estão me convencendo por completo. Sinceramente muitos deles nem me dão vontade de vir aqui e postar, pois nem vontade de criticar dá. Pois é, e com o álbum da Conchita foi o contrário, no momento que o Spotify (merchã) liberou o álbum, corri e ouvi todo sem perceber que tinha acabado. Ouvi novamente e tive certeza que tinha que deixar essa recomendação.

Conchita veio em uma era em que ser diferente visualmente ou estranhamente belo, não é relevante. Desde que Lady Gaga fez tudo que podia e o que conseguia para ser taxada de irreverente, estranha, feia, bonita, louca e etc, nada visualmente conseguiu a superar. Acredito que o showbizz se educou e aprendeu a ver o talento e o que o artista traz para adicionar. A nossa “mulher barbada” está aí para provar que já estamos vulneráveis a todo tipo de habilidade.

O quesito que mais vejo nesse álbum de estréia é “perfeição”. Não consegui ouvir nenhuma fala e digo que tudo que a gravadora da Conchita confiou e apesar do atraso, não é um álbum que vão conseguir esquecer fácil. Com melodias ricas e letras envolventes, “Conchita” tem seu marco em 2015 e torço que consiga atingir um desempenho relevante nas paradas, pois os fãs vão fazer jus a essa obra prima.

Quem sabe muitas artistas que se intitulam “rainhas” e “princesas”, ouçam esse álbum e fiquem com vergonha com o conteúdo que fazem. Agradeço por existirem as Conchitas e Lady Gagas para mostrar que nem sempre a aparência importa, e sim, o conteúdo que agrega ao nosso pantanoso mundo pop.

Fica a dica: Faça amor, não faça a barba. :)

Review: Madonna – Rebel Heart

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Rebel Heart
Nota: 5,0

    Artista: Madonna

    Álbum: Rebel Heart

    Gênero: Pop

2015 nem bem começou e o álbum que dominava o centro das atenções era o da rainha do pop, Madonna. Rebel Heart já vinha sido esperado desde o fim da MDNA Tour, onde Madonna já deixava rastros de que estava trabalhando com alguns dos produtores mais bombados do momento, entre eles Diplo e Aviici. Fato esse que começou a ser questionada sobre um novo trabalho e nada era confirmado. Usando sua conta no instagram, Madonna postava fotos que diziam sobre as faixas e algumas hashtags enigmáticas, como por exemplo #unapologeticbitch e #bitchimmadonna. Mas bastou uma demo cair na rede para que Madonna começasse a sua “era rebelde” muito antes do que imaginava.

Madonna sempre esteve envolvida com vazamentos de seu material, precisamente desde os anos 2000 (que me recordo) em que a música Music vazou na internet em uma qualidade baixa e porquíssima, mas mesmo assim quem tinha um computador com conexão naquela época podia ter a música ilegalmente. E quem a ouviu disse que Madonna simplesmente havia se superado e tanto que naquela década, a música nunca mais foi a mesma. Quando de fato Music foi lançada, o delírio dos fãs foi enorme e todo mundo queria ser musicalmente como Madonna, pois era novo e inspirador. Hoje, após quinze anos depois, Madonna foi exposta e do pior jeito que podia: todas as suas demos foram jogadas na internet e todo seu trabalho, que até então estava sendo trabalhado em detalhes, foi interrompido brutalmente e o feedback da rainha começou a vir daquele material não finalizado. E infelizmente, ninguém quis seguir seus passos e nem ouve muito delírio. Apenas caras entediadas e vozes debochadas.

Muitos dizem que o vazamento das faixas foi jogada de marketing para Madonna medir como as faixas soavam e a resposta de cada uma, pois já é tradição que todo álbum que Madonna pretende lançar, suas músicas sempre caem na rede muito antes do lançamento oficial. O FBI encontrou o hacker que fez o vazamento do material e o prendeu, nos mostrando que a coisa parecia ser mais séria do que pensávamos. Mas de nada adiantou, pois já tínhamos ouvido às músicas e tudo que ela estava guardando para trazer como “a novidade”. A assessoria da cantora acelerou o lançamento e fez uma jogada de marketing rápida: colocou as seis primeiras músicas que já estavam finalizadas para venda online e tentar reverter o prejuízo. Deu certo! Porém, para o azar de Madonna, um mês antes do lançamento o álbum vazou INTEIRO na internet e nem preciso dizer que a “internet” não esperava por isso.

Ouvi o álbum desde então e depois de muito ouvir, pensar, analisar, reanalisar e enfim concluir minha opinião, deixo aqui o que achei de cada uma e uma conclusão de todo o trabalho. Fico feliz que vocês tenham me pedido esse review, e peço que o leiam com bastante carinho, pois apesar de extenso, creio que vocês vão se divertir bastante.

Vamos lá?

Madonna

Living For Love foi a melhor música para começar o álbum e toda a nova era de Madonna. Aqui ela já começa a dizer que desprendida de tudo, ela vai seguir em frente e apenas viver por amor. Pra meio entendedor, meia palavra basta não é mesmo? O que me deixou mais admirado nessa música foi toda a produção envolvida, inclusive Diplo que saiu de sua zona de conforto e deixou o estilo “Major Lazer” de lado e criou um hit que varia de estilo e mostra quanto esse trabalho está renovado. O coral ao fim, finaliza a faixa house com aquela sensação de querer ouvir mais uma vez e sair dançando. Coladinha com Living For Love vem Devil Pray, que vem com uma pegada acústica e nem precisa muito pra saber que é uma produção assinada por Aviici, que deixa sua marca em todo o Rebel Heart. Confesso que apesar de estar cansado das produções dele, quase não percebo que foi ele quem a produziu, pois a faixa varia em filtros e alguns sintetizadores mais polidos. E sim, Madonna quer fazer o diabo rezar…

Posso chamar Ghosttown de baladinha? Linda e intensa, mas ao mesmo tempo elétrica, a faixa produzida pelo hitmaker Billboard não deixa a desejar e faz com que o refrão nos faz cantarolar com uma batida que Madonna fez questão de ter, para não esfriar tanto o clima do álbum até então. Falando sobre amor, a rainha faz um convite à sermos apenas duas almas em uma cidade fantasma. Mas a vibe reggae e o estilo próprio de Diplo toma conta quando Unapologetic Bitch chega. Como esse álbum é uma outra reinvenção de Madonna, é claro que ela iria se experimentar e lançar algo com a pegada reggae e nos fazer dançar ao mesmo tempo. E todos já estão avisados que apesar de as vezes soar meio narcisista, ela é uma “garota orgulhosa” que não pede desculpas e se arrepende. É o típico: “Vocês vão ter que me aceitar assim”.

Illuminati começa barulhenta, sem sentido e citando um monte de gente dessa geração que a mídia adora dizer que é Illuminati. E bom, isso é irrelevante até então, até porque Madonna só quer causar e fazer referência a eles todos, assim como fez em sua épica Vogue. Escrita e produzida por Kanye West, era certeza que essa música teria uma pegada eletrônica mixada ao rnb renovado que ele vem produzindo. “Querida, eu sou Madonna!” Bem, é essa mensagem que a rainha do pop quer passar em Bitch I’m Madonna, pois ela pode ser o que você quiser, até porque ela é a Madonna. Junto de Nicki Minaj, essa faixa me chama a atenção pois é uma produção genuína do Diplo e soa comum. O que destoa um pouco é a referência do “bubblegum dance” onde Sophie influenciou e deixou tudo que Diplo fez, soar o refrescante ao máximo. O feat. de Nicki é a cereja do bolo, mas as vezes eu prefiro bolo sem cereja, viu. Amo a Srta Maraj, mas essa parceria devia ter ficado no MDNA.

Hold Tight é uma das minhas favoritas, e não sei nem porque me identifiquei tanto com essa faixa, desde que eu sempre gosto mais das faixas barulhentas. Nessa música de motivação, Madonna só diz pra seguir em frente que tudo vai dar certo. E bom, existe mensagem de superação mais simples e melhor do que essa? Sim! Joan Of Arc, que é outra que eu amo desde que as demos vazaram e que se manteve o mais idêntica à vazada, continuando acústica e ganhando uma batida mais animada no refrão. “Até corações de ferro podem se quebrar”, e com referências sobre ser uma heroína incompreendida como Joana D’arc, ela não quer ter uma conversa sobre seu relacionamento, mas diz que mesmo o mundo caindo ela irá se reerguer. Imagina começar uma música com um verso polêmico de Mike Tyson? Sim, eu me arrepio com a ousadia de Madonna em colocar ele em uma música, quando na verdade ela já é a rainha de tudo isso. Iconic vem com aquela pretensão de falar em ser icônico e como ela mesma disse, Rebel Heart é um trabalho autobiográfico e a todo momento ela citará sobre sua vida e carreira. E vamos combinar que se fomos revisar toda a história pop, 50% dela será sobre a camaleoa que Madonna se tornou, ok? Chance The Rapper faz sua participação com um rap onde só complementa o que a música já frisou, até porque não basta ser uma super estrela… tem que ser inesquecível e ser um ícone!

Madonna

HeartBreak City chega apenas com uma voz incrível e um piano intenso com uma declaração dizendo: “Me cortou ao meio, me machucou um pouco… Você disse que eu era sua rainha. Eu tentei te dar tudo e agora você quer sua liberdade.” Sim, HeartBreak City é uma música sobre fim de relacionamento e como se fosse um acerto de contas. Madonna enfatiza que está em uma cidade dos corações partidos e que não é um lugar muito bonito. Uma balada impecável e na medida. É bom ouvir Madonna sem todos aqueles filtros e distorções. Uma faixa que ela fez para todos que tiveram seu coração partido. É o momento fossa do álbum. Mas não dura muito, pois em seguida vem Body Shop que se destoa de todas as músicas desse trabalho e nos faz lembrar da época em que Madonna fez “Hey You”. Apesar de não ser uma faixa que eu não ouço muito, Body Shop tem como base um banjo muito tímido e ao refrão uma batida que já estamos bem familiarizados. A faixa traz uma paz e nos prepara para o furacão que vem a seguir.

Provocativa e indecente, Madonna não está nem aí e vem trazer o assunto a tona mais uma vez. Com Holy Water, a rainha faz referências ao sexo e diz que apesar de sagrado, nada disso tem gosto de água benta. Escrita por Natalia Kills, a faixa tem algumas características de seus trabalhos. Outra alfinetada que Madonna dá nessa música é sobre as supostas rainhas que aparecem em seu caminho, querendo tomar seu “pódio” e que infelizmente, algumas coisas que ela tem (como talento) não se compra em lojinhas. Bem isso.. Essa mulher está impossível!

Inside Out parece ser uma faixa dos anos 80 que ganhou uma nova roupagem em 2015. Mas não é. A faixa produzida por Mike Dean é cheia de sintetizadores e passagens com base no hiphop que a deixam com uma cara renovada e com um vocal filtrado do jeito que Madonna adora e se garante. Wash All Over Me vazou junto de Rebel Heart, e desde então tinha outra produção. Para a versão finalizada, a música deixou a estrutura eletrônica e remixada para se tornar uma faixa mais calma, apenas com uma bateria que lembra aquelas bandinhas. E fiquei bem chateado, pois a faixa que era feita para dançar, se tornou uma balada morna e repetida. O que salva a seqüência é Best Night que é mais uma da parceria de Toby Gad, Madonna e Diplo. Envolvente, a faixa não é a melhor do álbum como outros hinos, mas o refrão que tem uma influência de uma cítara e nos remete ao ocidente é sensacional. A citação “Se renda ao prazer” me fez lembrar da era Erotica, onde Madonna não poupou na sensualidade e nos incita a fazer parte dessa noite que será a melhor de nossas vidas.

Veni Vidi Vici vem em forma de dobradinha, pois novamente é uma produção do trio queridinho do Rebel Heart. Toda integrada na batida do hip hop atual, Madonna vem contando um pouco de sua história. “Eu era destemida e tinha um sentimento que eu não posso explicar. Não ouvi o que as pessoas disseram. Vim, vi e venci”. Fazendo várias referências a suas músicas, Madonna nos leva a uma faixa constante e com uma batida ora electro, ora rnb. O rapper Nas complementa a música com um pouco de sua vida em um rap bem interessante, dizendo “Minha vida não pode ser comparada a de ninguém.” e mostrando que também venceu nessa vida.

E lá vem Madonna falar sobre seu assunto favorito! S.E.X. é sexy, claro! Falando sobre o que o seu parceiro deve fazer no ato, Madonna sugere que ele segura as mãos nela e tenha uma má atitude até então. Não tem como explicar, é Erotica com Bedtime Stories: “Sexo.. o que você sabe sobre sexo?” Depois de pegar fogo em S.E.X., Madonna quer que você se sinta arrependido e nos joga na cara com Messiah, uma balada onde ela diz que será sempre fiel, “Eu serei a noiva que é casada pela vida inteira”. Uma faixa que termina com batimentos cardíacos e finaliza com “Eu vou lançar um feitiço que você não pode desfazer, até você acordar e descobrir que também me ama.” Bom.. já não dá pra entender muita coisa. As vezes não dá pra levar a Madonna tanto ao pé da letra.

E enfim ela, a faixa título, REBEL HEART: Que fim trágico essa faixa levou! Quando Rebel Heart vazou na internet, foi amor a primeira vista. Claro que fiquei com receio no começo, mas por fim já estava viciado. Tinha uma batida electropop e com uma referência do pop sueco, tanto que jurei ser produzido pelo Aviici, mas na verdade é uma produção do também sueco, Magnus Lidehall. Quando saiu a versão final no cd, eu quis morrer. Eu até entendo a raiva que Madonna sentiu quando todas as músicas vazaram na internet sem ser finalizadas, mas custava deixar Rebel Heart do jeito que era? Enfim, para aqueles sortudos que não a ouviram, a faixa nada mais é que mais uma música nos moldes do Aviici e que já estamos saturados de ouvir. Beautiful Scars é outra que Madonna podia ter deixado de fora nessa versão finalizada. Com uma produção bem íntima e parecendo deep house, a faixa perdeu sua identidade que havia na demo, que na minha opinião soava muito mais a cara do Rebel Heart. A faixa ficou linda finalizada e super futurística. Me lembra muito da era disco e com uma pegada do Daft Punk. Mas eu iria gostar mais dela pop como era na versão vazada.

Queen é excelente, com uma produção impecável que tanto os arranjos quanto os vocais fazem da faixa ser uma das mais notáveis em questão de produção. Mas infelizmente não soa comercial em nenhum momento. Só consigo a imaginar em alguma trilha sonora de algum filme. Vem para mostrar que o álbum está acabando e sendo finalizado. Borrowed Time é uma produção de Aviici e podemos ver que o violão está de volta. Só que com um refrão fraco e nada memorável. Nem vou dizer que a demo é melhor pra não ficar chato, mas é que já que vai ter Aviici, que tenha a farofinha que ele faz né. Graffiti Heart é aquela música que Madonna tentou passar uma mensagem, mas nesse ponto ninguém se importa mais. O refrão tem uma batida intensa e elétrica, impossível não se render. Dá a impressão que essas últimas músicas do álbum só entraram porque a Madonna já tinha feito mesmo, não vejo novidade e nem comprometimento nelas. Estão ali só por estarem.

De repente um choro de criança com autotune invade o seu ouvido. É apenas Autotune Baby, outra música que Madonna vem trazer pro seu Rebel Heart. A necessidade de algo novo era tanto, que ela conseguiu pelo menos chamar nossa atenção em uma música ruim como essa. Me poupe, eu adoro o conceito mas me irrita um pouco essa criança berrando na minha cabeça. É como se a rainha estivesse mandando um recadinho pras “novinhas” que na verdade são todas bebês com auto tune. Mas a própria Madonna é uma das que abusa do recurso. Irônico!? Icônico! Rs

E pra finalizar com chave de ouro, Addicted que sim, é uma música que funciona como imã e quando você a ouve, dá vontade de ouvir o Rebel Heart todo novamente. Jogada de mestre? Talvez sim, pois é uma das que mais gosto. Madonna fala de quando se está em um relacionamento em que você fica viciado na pessoa e não quer abrir mão dela de jeito algum, mesmo ela partindo o nosso coração. No caso, nosso coração rebelde.

Madonna

Como disse, esse review precisava ser analisado e escrito com detalhes. Eram muitas músicas e muitos sentimentos, não dá pra simplesmente ignorar todo o trabalho que Madonna teve em preparar mais uma obra prima. No facebook o que mais vejo, são as insatisfações das pessoas com o Rebel Heart diante às demos que vazaram, tanto que alguns arriscam dizer que elas, os rascunhos, soam melhores que o álbum todo finalizado. E eu acho isso muito infeliz, pois assim como eu, preferir uma ou outra é até aceitável, mas desdenhar o trabalho todo é injusto.

Creio que Madonna preza que suas músicas soem diferentes, mesmo trabalhando com produtores tão saturados e com materiais já muito gastos. A Rainha do Pop consegue transformar cada proposta deles em algo que seja dela! Com seu toque de midas, as músicas vão sendo lapidadas de acordo com seu gosto e que fiquem com sua cara. Madonna não está fazendo um trabalho comum, está esbanjando qualidade e aceitando riscos. Criando algo novo e surpreendente de algo que estamos cansados de ouvir. É arte.

Claro que o mercado fonográfico já não é o mesmo de que quinze anos atrás, quando tudo que Madonna trazia se tornava algo relevante. Hoje ela entra na onda dos nomes populares da música e os molda de acordo com o trabalho que quer, sempre com a autenticidade de refrescar o showbizz.

Já deixo aqui registrado que esse trabalho de Madonna merece cinco estrelas pelo todo o engajamento que teve. Óbvio que eu não presenciei, mas imagino por ser fã e estar sempre acompanhando tudo que Madonna faz, cada trabalho que ela faz é sobre fazer história. Seja lá como, ela dá um jeito. Pois não existe outra que tenha feito um trabalho tão genuíno, moderno e percursor quanto Madonna. E também digo que se hoje existe tantas cantoras e espaço para cada uma brilhar, é porque ela preparou o terreno. Então se curvem à rainha do coração rebelde.

Review: Kelly Clarkson – Piece by Piece

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Ariana Grande
Nota: 3,0

    Artista: Kelly Clarkson

    Álbum: Piece by Piece
    Gênero: Pop

Kelly Clarkson, uma das ex-participantes do American Idol que mais amamos, retorna. Depois de “Wrapped in Red” lá em 2013 (faz quase dois anos gente), ela voltou aos holofotes e mostra porque é uma das nossa artistas favoritas. Longe de grandes disputas como Lady Gaga, Madonna, Katy, Rihanna, Beyonce e afins, que hoje são as grandes do mundo pop e por quem os fãs se estapeiam.

O novo ábum, “Piece By Piece” é algo que esperávamos de Kelly. Na medida, delicioso de se ouvir e com boas amostras do poder vocal que sabemos que ela tem. Nada de extraordinário, mas sem dúvida um trabalho que não pode passar despercebido no mundo pop.

HEARTBEAT SONG: Foi o primeiro single e traz uma melodia gostosa com uma letra tão boa quanto. O clipe, por sua vez, fez jus à música. Não é algo conceitual ou uma super produção, mas cumpre o papel de ilustrar uma boa música.

INVENCIBLE: Batidas intensas da bateria, um pouco de violinos ao fundo e a voz da Kelly destacada sobre toda essa atmosfera quase lírica. Uma das canções mais poderosas do álbum, não tão deliciosa de se ouvir quanto o single, mas dá boa sequência.

SOMEONE: Então chegamos à terceira música do álbum e temos outra canção para mostrar poderes. Porém, diferente de “Invencible”, “Someone” chega com um proposta onde destaca mais a voz de Kelly com o instrumental não tão poderoso lembrando, me corrijam se estiver errado, “Because of you”.

TAKE YOU HIGH: A música já começa com algo que Taylor Swift abusou (e deu certo) no seu último ábum: sintetizadores. A música é um aumento no ritmo, porém sutilmente e tem um refrão poderoso. Não é, nem de longe, a melhor do álbum, mas cumpre o papel de manter a qualidade.

PIECE BY PIECE: Chegamos a canção que dá nome ao álbum. “Piece by Piece” completa a subida de ritmo iniciada em “Take you high” e traz uma balada gostosa de se ouvir, sem ser chiclete ao ponto de incomodar. Cumpre o papel de assinar o trabalho e mostra uma Kelly que sempre amamos sem medo de mostrar voz poderosa, mas também de saber manter o tom.

RUN, RUN, RUN: Sem dúvida minha favorita desse álbum. A canção é um cover da música do Tokio Hotel e tem a participação do John Legend. Não preciso dizer nada mais.

I HAD A DREAM: Chiclete, essa é a palavra que define “I Had a Dream”. Dá pra ver, na minha humilde opinião, um pouco da Kelly de “Breakaway”, não é uma música ruim, mas deixa a desejar depois de uma sequência de canções poderosas.

LET YOUR TEARS FALL: Deixe suas lágrimas caírem”, isso é direcionado aos haters de Kelly. Apenas isso.

TIGHTROPE: Então Kelly decide diminuir o ritmo novamente. Coloca um piano de fundo e mostra sua voz em uma balada linda de suave. Deliciosa.

WAR PAINT: De volta ao pop propriamente dito. “War Paint” traz sintetizadores, batidas animadas e uma canção digna, apenas. Uma sequência interessante para uma balada lenta como “Tightrope”, mas muito bem colocada.

DANCE WITH ME: Pop com voz poderosa e uma combinação que poderia ter dado errado, mas Kelly não deixou. O refrão é muito grudento, acredite, ainda estou cantando “C’mon and Dance With Me”, é claro que pode ser daquelas canções que você enjoa depois de três ou quatro vezes que escuta, mas por agora amei.

NOSTALGIC: “Nostalgic” me deixou exatamente isso: nostálgico. É uma canção muito Kelly início de carreira o que, obviamente, não é algo ruim, mas com a qualidade superior do álbum e uma Kelly Clarkson amadurecida e talentosa, “Nostalgic” fica um tanto perdida num mar com força suficiente para arrastá-la para o fundo.

GOOD GOES THE BYE: Não sei se sou eu, mas “Good goes the bye” está longe da qualidade do restante do trabalho. Parece que Kelly perdeu força na finaleira do processo e isso se refletiu na música que acaba se tornando maçante depois de um tempo escutando.

BAD REPUTATION: Kelly, amor, que cê fez? “Bad Reputation” teve uma sonoridade que não é ruim, mas, no meu ponto de vista destoou do restante do álbum e vir logo depois de “Good goes the bye” deixou as coisas ainda mais complicadas.

IN THE BLUE: Boa. Não é muito, mas é tudo que posso falar sobre “In the blue”, novamente fraca comparada a outras canções do álbum, mas não chega a ser uma música ruim. Ela quase encerra o álbum, mas não tapa os buracos de “Good goes the bye” e “Bad Reputation”

SECOND WIND: O álbum encerra com “Second Wind” e encerra bem apesar dos percalços do final. É uma balada com boa batida e Kelly exibindo sua voz em uma canção interessante, nada de extraordinário, mas ainda sim boa.

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Para concluir, Kelly sempre esteve fora do meio pop realeza, porém sempre foi lembrada por todos por seu talento e qualidade. O álbum está longe, convenhamos, de um Grammy e Kelly de ser tão lembrada e aclamada quanto Beyonce. Apesar disso, vejo um futuro tão bom para Kelly, não apenas por ser fã desde o início de sua carreira, mas porque eu gosto de ver o quanto algumas cantoras conseguem permanecer dentro daquilo que gostam e daquilo pelo que foram conhecidas fazendo ainda que isso lhes custe prêmios e/ou status.

Não me entendam mal, gosto de artistas que se reinventam e saem de sua zona de conforto, fato. O que não gosto são aqueles que perdem sua identidade para vender mais e Kelly não perdeu isso. Ela é se reinventou na medida e ainda assim manteve um brilho da Kelly que conhecemos após o American Idol e a qual amamos.

Review: Ariana Grande – My Everything

Por em |

Ariana Grande
Nota: 5,0

    Artista: Ariana Grande

    Álbum: My Everything

    Gênero: Pop

Antes de começar a ler essa resenha, gostaria que você soubesse que:

1) O FrutoProibido.Org nunca foi, e nunca será um portal sobre música com a obrigatoriedade de se manter imparcial ou de contar com especialistas no assunto. É um blog onde a nossa opinião prevalece acima de tudo. Você não precisa concordar, mas já fique sabendo que é o que, eu e meus colaboradores pensamos.

2) Quem acompanha o blog sabe muito bem que sempre postei essas resenhas com o intuito de, apenas, compartilhar minha opinião e criar debates sobre as postagens. Não sou formado em música e divido o que sinto ao ouvir os trabalhos de meus artistas favoritos.

3) E pra finalizar, não recebi nenhum feedback negativo sobre isso, mas estou preparando vocês para essa postagem sobre o álbum novo da Ariana Grande, que não me agradou como um todo. Leia abaixo e saiba por quê.

Ariana Grande não é uma diva. Ainda! Mas canta como uma e vende como dez. Conquistando fãs com uma facilidade incrível, a menina pode até ser nova no showbizz, mas acredito que seu “balacobaco” é tudo que já estamos cansados de “ver” em outros nomes consagrados.

Incomodando com seu visual cansado, Ariana é chamada de cópia por uns e outros; mas é impossível não a chamar de pequena notável. De mansinho conquistou seu espaço e fez jus ao seu sobrenome: com um timbre poderoso que espanta as adeptas do playback e autotune.

Bom, já havia ouvido Ariana Grande de seu primeiro trabalho e confesso que não havia achado nada de especial. Para mim soava mais um álbum rnb de uma Mariah qualquer. O destaque veio quando seu nome começou a ser associado com a loira queridinha do momento: Iggy Azalea. Um dueto entre as duas sairia em alguns dias e até parecia ser algo interessante.

Quando tocou “Problem” pela primeira vez em um show da Ariana, um fã gravou a apresentação e no mesmo momento colocou no youtube. Pirei quando ouvi. Não que desse para ouvir muito da música, mas o que dava para ouvir, soava com uma batida pop dance diferente. Após algumas semanas o single saiu e uma porta se abriu para Ariana Grande.


Seu nome rodou o mundo e caiu nas graças de muita gente. A música alcançou o #1 em diversos países e se deu bem, ficando em boas posições rendendo às duas cantoras uma repercussão gigantesca. Só se falava em “Problem”. Só se cantava “Problem”. Concluí que Ariana merecia uma chance, pois saiu de sua zona de conforto e foi parar diretamente nas pistas de dança.

“Ari” não podia ficar presa em “Problem” e aproveitou a onda do mar para pescar mais peixes. Produzida pelo top Dj Zedd, “Break Free” foi lançada na internet e o resultado foi estrondoso. Uma mistura de pop com synth e um dub, fizeram com que aqueles que não tinham se rendido a Ariana, dançarem freneticamente. A faixa teve um desempenho tão bom que ganhou um clipe. Não o melhor da história pop, mas um dos mais decepcionantes. Teve gente que gostou, mas…


Enfim, depois de dois hits esmagadores, eu na minha inocência esperei que seu álbum fosse uma continuação das músicas anteriores e para minha surpresa, não foi. Ouvi o álbum todo esperando mais músicas pop dançantes e menos músicas que me fizessem querer mudar de faixa. Ficamos empolgados com o início do álbum e depois da faixa 5 a empolgação vai se acabando e se tornando em um momento aconchegante.

“One Last Time” é uma baladinha certeira. No ponto! Essa fórmula funciona e com uma letra intimista. O refrão tem uma batidinha pop que gruda. Assim como na seguinte, “Why Try” que é o pop que tem uma pitadinha do rnb, mas o teclado bem intenso toma conta. O timbre está perfeito e com um tom que ora está grave, ora está agudo. Destaco também “Love Me Harder” por ser outra faixa que devia ter sido replicada pois começa tranqüila e explode com um refrão hipnótico.

“Best Mistake” é excelente. Se não tivesse tanta referência pop, eu até diria que é um rnb contemporâneo. O feat. de Big Sean só complementa a canção porque ela está tendo um relacionamento com ele, senão eu iria dispensar. Assim como “Just a Little Bit of Your Heart” e “My Everything” que apesar de obterem o máximo do potencial vocal de Ariana, não me impressionam como um todo. Não me deixa com nenhum sentimento de novidade.

“Be My Baby”, “Hands On Me” e “Break Your Heart Right Back” são faixas de segurança. São aquelas músicas que Ariana fez no primeiro álbum e que agradou. Mas não tiro o mérito delas, pois são o ritmo quente que o álbum precisava para cortar a atmosfera pop eletrônica. É como se fosse um balde de água fria, mas no bom sentido.


Concluo essa resenha admirando muito o talento de Ariana Grande e que achei algumas músicas interessantes, outras nem tanto. Admito que queria mais Problem e menos Be My Baby. Com o passar do tempo posso mudar de ideia, até porque tem dias que a gente quer dançar, e tem dias que queremos deitar na cama e ouvir Adele enquanto chove lá fora. My Everything pode ser tudo de bom pra Ariana, mas pra gente vai ficar sendo um my more or less, my playfair ou até mesmo, my lucky day. Enfim… temos um Problem a menos para enfrentar…

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